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Diversidade e inclusão nas empresas – Diversidade no trabalho híbrido, remoto, presencial e em todos os lugares – desafio a todos e ainda mais para as mulheres

Publicado primeiramente em Observatório da Comunicação Institucional

 

Tenho certeza de que a realidade de todo mundo mudou nesses últimos dois anos, desde o início da pandemia e a chegada de tantas incertezas na nossa vida. Para muitas pessoas, havia uma única coisa certa: ficar em casa. Para aquelas que mantiveram seus trabalhos durante o período, foi um momento de se ver dentro do mesmo espaço para trabalhar, descansar, ter momentos de lazer e qualquer outra atividade.

E, com conhecimento de causa, posso dizer que para as mulheres foi – e ainda é – uma situação ainda mais complexa. Isso é algo que está no meu dia a dia, é uma das minhas preocupações diárias, já que é a minha realidade e a de muitas amigas, parceiras de trabalho e tantas outras no Brasil e no mundo. Me lembro ainda hoje que, desde menina, dizia que, se pudesse escolher, nasceria sempre mulher. Ao longo dos anos, continuo com o mesmo pensamento, tenho um baita orgulho de ser mulher, mas preciso confessar que a vida adulta trouxe uma realidade que, quando era criança, nunca poderia imaginar. É realmente um desafio ser mulher e ainda bem que a minha pequena versão não sabia como a vida poderia ser dura, até porque isso é difícil demais de explicar a uma garotinha em qualquer lugar desse planeta.

Mas, bem, vamos aos fatos. Vou explicar o real motivo de concluir, mais uma vez, que a vida da mulher não é nada fácil. Se o ambiente de trabalho já não era muito inclusivo antes da pandemia, isso piorou ainda mais quando os funcionários foram para suas casas trabalhar. As mulheres têm sofrido mais no esquema de trabalho remoto ou híbrido (que é uma mistura entre o home office e o presencial). Seja pelo cansaço, pela jornada dupla de trabalho, seja pelo isolamento ou pela falta de perspectivas quando se está distante do resto da equipe de trabalho. Isso é o que mostra uma pesquisa da Deloitte deste ano, com dados de 2021, reunidos a partir de experiências de 5 mil mulheres de 10 países.

Para começar, o estudo concluiu que 55% das entrevistadas possuem um nível de estresse, atualmente, maior do que há um ano atrás. Dessas, quase metade diz ter tido burnout. Outro dado interessante é que 40% delas estão buscando ativamente um novo trabalho e os motivos são: falta de oportunidade de crescimento, de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e má remuneração. Tudo o que a gente já via no trabalho presencial das empresas, agora agravado com a sensação de instabilidade constante que nos cerca, além acúmulo de tarefas e maior isolamento.

Esse é um reflexo de que as empresas não estavam e continuam com dificuldade para trabalhar com projetos de diversidade e inclusão dentro de seus ambientes de trabalho, que olha individualmente para cada funcionário de acordo com as suas necessidades. Nesse sentido, a pesquisa também apontou que mulheres negras, LGBTQI+, com deficiência e de outros grupos minoritários são mais propensas a terem burnout. Uma das questões que as levam a isso é o desconforto em falar sobre sua saúde mental no trabalho, por acreditarem ser “algo pequeno” e sem tanta relevância para seus superiores.

Dados da pesquisa dizem ainda que mulheres LGBTQI+ são 7% mais propensas a serem tratadas de forma desrespeitosa e não profissional, além de terem 10% mais chances de se sentirem minadas por seus gerentes por serem mulheres. Todos esses números são preocupantes e mostram como os últimos anos de pandemia potencializaram sentimentos e práticas já presentes no mundo corporativo.

Mas é possível ainda mudar essa realidade e trazer mais tranquilidade às mulheres.

O trabalho híbrido vem nessa tentativa de equilibrar a vida pessoal e a profissional, ao mesmo tempo que é mais vantajosa às empresas que vêem seus gastos diminuírem com a equipe trabalhando de casa, enquanto as entregas são feitas e os ritmos de trabalho, na maioria das vezes, intensificados. Mas, mesmo num modelo híbrido, as mulheres ainda se sentem excluídas no ambiente de trabalho, o que sugere uma continuidade da cultura de não-inclusão e que as impactam em casa e no escritório. Quase 60% das entrevistadas se sentem excluídas de reuniões e interações e quase metade delas diz que não tem acesso suficiente a seus líderes, o que impacta diretamente em promoções e bonificações.

Isso é uma via de mão dupla. A exclusão gera mais estresse e ansiedade, que pode levar a um esgotamento mental, que não é compartilhado com a equipe e impacta o andamento das atividades e reflete nas entregas das funcionárias. Resumindo, não está fácil para as mulheres trabalhadoras desse mundão. O que o torna mais fácil para elas é um ambiente que seja pensado no seu bem-estar também.

Que as particularidades de cada uma seja levada em consideração na tomada de decisões.

Para isso, aqui vão algumas recomendações que a pesquisa da Deloitte fecha a pesquisa:

⦁ Ficar atento à saúde mental dos funcionários para prevenir burnout;
⦁ Tornar a jornada de trabalho das mulheres mais flexível;
⦁ Adotar um modelo híbrido de trabalho mais inclusivo;
⦁ Trabalhar ainda mais uma cultura inclusiva dentro da empresa.

Com um pouquinho mais de ações voltadas para a diversidade dentro das empresas, uma parte desses problemas vai ser amenizada, se não resolvidos. Como uma coisa impacta na outra, não podemos trabalhá-las isoladamente, mas pensando em conjuntos de fatores que podem impactar na vida das mulheres e, claro, na produtividade das empresas.

Image by Gerd Altmann from Pixabay

Jovanka de Genova é educadora e gerente de educação, com mestrado em Educação, Arte e História da Cultura, e com mais de 17 anos de atuação na área de comunicação organizacional e educação corporativa, em especial na gestão de cursos e soluções educacionais. No LinkedIn: www.linkedin.com/in/jovankadegenova.

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